A zona cinzenta da creatina

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A zona cinzenta da creatina

Mensagem  cupertino em Sex Ago 12, 2011 9:20 pm

Parece que outra forma de creatina de “alta tecnologia”, tem um pé firme na zona cinzenta da creatina. O que é a zona cinzenta da creatina? É para onde as várias formas de creatina – excepto o monohidrato – vão quando a ciência demonstrou serem inferiores ao monohidrato, e ou o seu ciclo de vida publicitária chegou ao final.

Refiro-me especificamente à creatina ethyl ester (CEE). Tal como muitas outras formas de creatina de “alta tecnologia” antes dela, foi feito todo o tipo de afirmações relacionadas acerca da sua superioridade em relação ao monohidrato de creatina (CM). Começam sempre da mesma forma. Em primeiro lugar, a empresa irá inventar uma longa lista dos aspectos negativos acerca do monohidrato de creatina (CM), tais como “má absorção” ou “causa retenção”, ou “não é estável”, e a lista continua, enquanto afirmam que a sua forma de creatina resolveu todos os aspectos negativos inventados acerca da (CM).

O problema é que, os dados já demonstram que o monohidrato de creatina não causa virtualmente, nenhum dos aspectos negativos que eles inventam, nem demonstram que a sua forma de creatina “cura” esses supostos aspectos negativos.

Os vendedores da CCE por exemplo, afirmavam que a CEE era melhor absorvida e utilizada do que a (CM), e isso foi demonstrado ser totalmente irracional e falso. Houve muitos estudos “in vitro” que apontavam para o facto de a CEE ser inferior á CM, mas, um estudo recente realizado em seres humanos, colocou o último prego no caixão da CEE. Este estudo tem o título de ““The effects of creatine ethyl ester supplementation combined with heavy resistance training on body composition, muscle performance, and serum and muscle creatine levels”. O estudo completo é de acesso público e pode ser lido aqui:

Estudo CEE

Aviso, o abstracto é confuso e não está muito bem escrito. Se ler o estudo completo, é mais claro. Se não tem tempo ou interesse em ler tudo, o estudo pode ser resumido no seguinte: Embora todos os indivíduos participantes no estudo tenham obtido aproximadamente os mesmos efeitos; todos eles obtiveram melhorias na composição corporal e ganharam força. Porquê? Porque neste estudo utilizaram indivíduos destreinados, eles não poderiam diferenciar entre PL, CEE, e CM em termos de efeitos na composição corporal e força nesse período de tempo, dado que os principiantes obtêm sempre progressos rápidos quando iniciam o treino de musculação. Até aqui, não há novidades.

No entanto, o estudo chegou ao ponto essencial, que demonstrou claramente que as afirmações acerca da CEE são falsas: Neste estudo a CEE causou níveis muito mais elevados de creatinina e uma concentração menor de creatina nos músculos comparado com a CM, isto prova, de novo, que as afirmações dos vendedores da CEE que dizem que esta forma de creatina é superior á CM e de que a CM é “mal absorvida” ou “causa retenção”, ou a minha favorita “a CM não é estável,” etc. são falsas. Os investigadores também verificaram as mudanças nos compartimentos de água (a CEE na verdade, teve um tendência a causar níveis mais elevados de água extra celular do que a CM, por isso, fica assim eliminada a afirmação estúpida, de que a CEE não causa “retenção de água”…) A CEE falhou a todos os níveis em comparação com a CM.

A CEE é menos estável que a CM, aumenta os níveis de creatinina a níveis muito mais elevados que a CM, e é inferior, comparada com a CM, no que diz respeito a aumentar os níveis de creatina no músculo. Este estudo não é de forma alguma perfeito, mas, combinado com os restantes dados existentes, e com os estudos e dados sérios proporcionados pelos vendedores da CEE (o que significa, zero!), bem, não é preciso ser um cientista para se chegar à conclusão certa…

A CEE irá entrar na zona cinzenta, tal como dezenas de outras forma de creatina, e todas começaram por afirmar serem superiores à CM, com grandes afirmações, e agora permanecem na zona cinzenta.

Dois pontos essenciais acerca da zona cinzenta:

Apesar de estarem na zona cinzenta, não significa que sejam inúteis. Algumas formas, como a cretina “magnesium chelate” por exemplo, parece promissora, mas num estudo comparativo com a CM, não teve melhores resultados. Recorde-se que, uma outra/nova forma de creatina, não tem apenas de mostrar resultados iguais à CM, tem de mostrar resultados superiores. Formas como o “piruvato” de creatina e muitas outras na lista, podem ser tão eficientes como a CM, mas não são superiores, então acaba por se tratar de uma questão de custo.

Outras formas da lista, tiveram na verdade, resultados inferiores à CM nos estudos, tal como a creatina em soro, várias versões líquidas de creatina, e agora a CEE. A creatina em soro foi uma grande moda há poucos anos, e os estudos demonstraram que não só era inferior à CM em todos os aspectos, como também não continha virtualmente creatina nenhuma! Mas claro, existem sempre aqueles indivíduos a utilizar uma das várias formas de creatina nos vários fóruns, que escrevem “posts” em que utilizam uma lógica distorcida “bro logic” com afirmações do género “Não me interessa o que os estudos dizem, comigo funciona como uma bomba!”, mas eu discordo…

Finalmente, outras formas na lista, simplesmente não possuem quaisquer dados para se poderem comparar com a CM. Mas as empresas que vendem essas formas de creatina, irão periodicamente fazer afirmações de superioridade a partir de zero dados para suportar as suas afirmações. Assim sendo, é impossível realmente separar os factos da ficção (ex: marketing publicitário) para os poder recomendar.

Por mim, irei usar a forma de creatina que tem, literalmente, centenas de estudos a comprovar a sua eficácia e segurança, em vez de uma forma de creatina que tem zero dados em que basear as suas afirmações de superioridade sobre a CM. Por isso, ficam colocadas na zona cinzenta. Poderá haver, no futuro, estudo que as retirem da zona cinzenta, mas eu não esperaria por isso.

A CM não é perfeita. Não é muito solúvel, e, não parece funcionar de todo em cerca de 30% dos consumidores. Em doses altas, geralmente, cerca de 3g-5g ingeridos de uma só vez, pode causar problemas estomacais em alguns indivíduos, embora numa percentagem pequena, pode ser um grande impedimento para alguns consumidores. Sendo assim, sou a favor da continuação das pesquisas acerca de formas melhoradas de creatina e de transporte/absorção de creatina, e por ai adiante. Mas tem que haver suporte e dados científicos que comprovem que novas versões da creatina são ou serão mais eficazes e/ou mais seguras.

Eu poderia aleatoriamente utilizar duas formas de creatina listadas abaixo, digamos “dicreatine malate e creatine ethyl carbonate ester” e produzir “dicreatine malate creatine ethyl carbonate*”, mas, seria superior á CM? Não se sabe, dado que não existem dados.

Poderia apenas inventar uma série de afirmações não provadas como outros fazem, e vender o produto… Será que as empresas de suplementos inventam uma forma de creatina simplesmente para parecer que é de “alta tecnologia”?

Bem, uma empresa, a (BSN) está neste momento em tribunal devido a uma forma que vendem chamada “CEM3” ou “Creatine Ethyl Ester Malate”, o que, de acordo com as acusações “não existe, e é impossível de produzir”! Como já disse, a CM não é perfeita e sou todo a favor da continuação das pesquisas a favor de formas melhoradas (vs. Formas diferentes!) de creatina, e/ou formas melhoradas de tecnologias de transporte, mas as empresas de suplementos devem pagar as suas dívidas em relação a esses produtos, parar com toda essa propaganda e parar de denegrir a imagem da CM, apenas para venderem produtos não provados.

Então, sem mais demoras, aqui a minha lista actual das creatina da zona cinzenta:

Creatine ethyl ester (CEE)
creatine pyruvate
creatine taurinate
creatine ethyl ester malate
creatine ethyl carbonate ester
creatine gluconate
creatine malate
dicreatine malate
tricreatine malate
creatine citrate
tricreatine citrate
Kre-Alkalyn
creatine phosphate
creatine alpha-ketoglutarate
creatine-6,8-thioctic Acid-ketoisocaproic Acid Calcium (CREAKIC)
creatine pyroglutamate
“conjugated creatine” (Con-Cret)
magnesium creatine chelate
creatine anhydrous
dicreatine orotate
tricreatine orotate
creatine alpha-amino butyrate
creatine HMB
“titrated creatine”
“creatine serum”
“liquid creatine”

E também:

Glycocyamine (precursor)
Creatinol-o-phosphate (analog)

* =apenas como exemplo: Não faço ideia se tem forma é quimicamente possível, nem me interessa.

A CEE converte-se em creatinina e deve ser evitada

O estudo verificou que a CEE é inferior ao monohidrato de creatina (MC) e, assim, a CEE foi despejada na zona cinzenta, juntamente com um monte de outros tipos de creatina. Sem grande choque para mim, pesquisas adicionais parecem confirmar que CEE é uma má escolha como substituto para o o monohidrato de creatina (MC), e agora temos este último estudo, que verificou que a CEE converte-se em creatinina (que não tem efeitos ergogénicos), e que = as pessoas que estão a usar CEE estão a deitar fora o €€€ que tanto lhes custou a ganhar, e vejo isso com bastante preocupação.

Os investigadores do estudo concluíram que:

”A creatina etil éster é um pró-nutriente para creatinina, em vez de creatina em todas as condições fisiológicas encontradas durante o trânsito através de vários tecidos, portanto, não é de se esperar nenhum efeito ergogénico com a sua suplementação.”

Por outras palavras, como já tenho vindo a dizer desde há muito tempo, pare de desperdiçar o seu dinheiro…

Abaixo está o resumo para aqueles interessados ​​em tais coisas. O meu conselho neste momento é que as pessoas devem evitar este suplemento, na melhor das hipóteses, é um desperdício de dinheiro, e na pior das hipóteses, irá elevar os níveis de creatinina, o que pode ser contra-indicado para algumas populações.

Ciclização não enzimática da creatina etil ester em creatinina

A creatina etil éster foi incubada a 37 ° C na água e soro fisiológico tamponado e foram utilizadas as ressonâncias de diagnóstico de metileno no espectro de RMN 1H para identificar os produtos resultantes. Verificou-se que condições aquosas moderadas resultaram na ciclização de creatina etil éster para providenciar creatinina inactiva como produto exclusivo, e essa transformação torna-se quase instantânea, à medida que o pH se aproxima dos 7,4.

Este estudo demonstra que condições leves não-enzimáticas, são suficientes para a ciclização de ésteres etílicos de creatina em creatinina e, juntamente com os resultados anteriores obtidos em condições enzimáticas, isto sugere que não existem condições fisiológicas que resultem na produção de creatina.

Conclui-se que a em todas as condições fisiológicas encontradas durante o trânsito através de vários tecidos, a creatina etil éster é um pró-nutriente para a creatinina, em vez de creatina portanto, não é de esperar nenhum efeito ergogénico derivado da sua suplementação.

fonte:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19660433

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