Capoeira, uma dança dos Negros.

 :: ESPORTES :: VALE-TUDO

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Capoeira, uma dança dos Negros.

Mensagem  MARCELO RIOS em Qui Fev 14, 2013 9:42 am


+
----
-
BESOURO MANGANGÁ | MANDUCA DA PRAIA

Rei Zumbi dos Palmares
A partir das lutas com os holandeses, o destino do grande Quilombo de Palmares aparece ligado á familia da princesa Aqualtune. Dois de seus filhos, Ganga Zumba e Gana Zona tornaram-se chefes dos mocambos mais importantes do quilombo. O mais provavel é que tenham recebido estas chefias de herança. Como em algumas tribos africanas a sucessão não se fazia de pai para filho e sim de tio para sobrinho, Ganga Zumba e Gana Zona devem ter substituido algum irmão de Aqualtune, do qual até hoje nenhum registro foi encontrado.

Mas Aqualtune também tivera filhas e uma delas, a mais velha, que se chamava Sabina, deu-lhe um neto, nascido quando Palmares se preparava para mais um ataque holandes, previamente descoberto. Por isso, os negros cantaram e rezaram muito aos deuses, pedindo que o Sobrinho de Ganga Zumba, e, portanto, seu herdeiro, crescesse forte. E para sensibilizar o deus da guerra, deram-lhe o nome ZUMBI.

A criança cresceu livre e passou sua infancia ao lado de seu irmão mais novo chamado Andalaquituche, em pescarias, caçadas, brincadeiras, ao longo dos caminhos camuflados, que ligavam os mocambos entre si. Garoto ainda, Zumbi conhecia Palmares inteiro. Suas arvores, seus rios, suas plantações e aldeias.

Os anos corriam tranquilos para Zumbi, que da escravidão so conhecia as historias terriveis, que os mais velhos estavam sempre a contar, lembrando da escuridão das senzalas, a umidade e a morte nos navios negreiros. Passam-se os anos e Palmares torna-se cada vez mais uma potencia.


Na década que se inicia em 1670, Palmares vive seu apogeu. Mais de 50.000 habitantes livres, distribuidos em varios mocambos. Zumbi e Andalaquituche, ja homens feitos, chefiavam suas proprias aldeias. Nesse tempo, o crescimento do quilombo e as novas necessidades de defesa haviam transformado Palmares numa federação.

Ganga Zumba, que governava a maior das aldeias - Cerra dos Macacos - presidia o conselho de chefes dos mocambos e passou a ser considerado Rei de Palmares.

Sempre muito perseguidos, os negros que conseguiam chegar a Palmares e eram considerados livres, logo se transformavam em guerreiros, pois foram muitos anos de lutas sangrentas em defesa do quilombo. Tantas foram estas lutas, que doze anos mais tarde o velho Ganga Zumba via seu reinado ameaçado por uma espécie de força que Zumbi tinha e exercia sobre os guerreiros que seguiam muito mais as suas ordens do que as do Rei Ganga Zumba, e, numa noite de festa em comemoração na vitoria de uma luta, Ganga Zumba reuniu todo o povo de Palmares para que testemunhassem a coroação de Zumbi como novo Rei de Palmares.

Nesta mesma noite, Ganga Zumba traiu Zumbi, dividindo a opinião do povo e colocando a grande maioria contra Zumbi. Ganga Zumba foge de Palmares com um grupo muito grande de guerreiros, mulheres e crianças e se refugia no Vale do Cacua, logo abaixo da Serra da Barriga, onde procura fundar um novo quilombo. Mas, os guerreiros que o acompanhavam começaram a se desentender com as ordens quase suicidas do velho Ganga Zumba e também o trairam. Deram-lhe vinho envenenado para beber, dizendo que aquele era um vinho especial, que haviam roubado na vila do Porto Calvo, somente para agradar o rei.

Com a morte de Ganga Zumba, os guerreiros voltaram para Palmares e se uniram a Zumbi. Foi quando se deu a batalha mais cruel de toda a existencia do quilombo, fazendo com que fosse desfeita toda a soberania de Palmares.

Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, vitima da traição de um de seus homens de confiança.

Apos a queda de Palmares e a morte de Dandara, a esposa de Zumbi, e m‹e de todos os seus tres filhos, Zumbi se refugiou na mata, numa pequena caverna na beira de um riacho. Muito ferido da guerra e jasem muitas forças, tinha consigo apenas a ajuda de uma criança abençoada chamada Lualua, quando o seu traidor levou um dos homens do exército de Domingos Jorge Velho até o esconderijo de Zumbi. Este homem era André Furtado de Mendonça e levou Zumbi até Domingos Jorge Velho que o matou a sangue frio com dois tiros na queima roupa. Era o fim.

A cabeça de Zumbi foi cortada e levada para a vila do Recife como prova do fim de Palmares e da rebeldía dos negros, que a todo momento eram ameaçados por feitores que dizíam fazer com eles o mesmo que foi feito com Zumbi.

Hoje, Zumbi é o simbolo máximo da liberdade para os negros do Brasil. Seu nome é o mais puro significado do que se diz ser livre e lutar pela propria liberdade.



BESOURO MANGANGÁ


A palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo Tio Alipio nutria grande admiração pelo filho de João Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manuel Henrique que, desde cedo aprendeu, com o Mestre Alipio, os segredos da Capoeira na Rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purificação, sendo "batizado" como "Besouro Manganga" por causa da sua flexibilidade e facilidade de desaparecer quando a hora era para tal.

Negro forte e de espírito aventureiro, nunca trabalhou em lugar fixo nem teve profissão definida. Quando os adversarios eram muitos e a vantagem da briga pendía para o outro lado, "Besouro" sempre dava um jeito, desaparecia. A crença de que tinha poderes sobrenaturais veio logo, confirmando o motivo de ter ele sempre que carregar um "patua".

De trem, a cavalo ou a pé, embrenhando-se no matagal, Besouro, dependendo das circunstancias, saia de Santo Amaro para Maracangalha, ou vice-versa, trabalhando em usinas ou fazendas. Certa feita, quem conta é o seu primo e aluno Cobrinha Verde, sem trabalho, foi a Usina Colonia (hoje Santa Elisa) em Santo Amaro, conseguindo colocação. Uma semana depois, no dia do pagamento, o patrão, como fazia com os outros empregados,disse-lhe que o salario havia "quebrado" para São Caetano. Isto é: n‹o pagaria coisa alguma. Quem se atrevesse a contestar era surrado e amarrado num tronco durante 24 horas. Besouro, entretanto, esperou que o empregador lhe chamasse e quando o homem repetiu a célebre frase, foi segurado pelo cavanhaque e forçado a pagar, depois de tremenda surra Misto de vingador e desordeiro.

Besouro não gostava de policiais e sempre se envolvia em complicações com os Homens e não era raro, tomava-lhes as armas, conduzindo-os até o quartel. Certa feita obrigou um soldado a beber grande quantidade de cachaça. O fato registrou-se no Largo de Santa Cruz, um dos principais de Santo Amaro. O militar dirigiu-se posteriormente a caserna, comunicando o ocorrido ao comandante do destacamento, Cabo José Costa, que incontinente designou 10 praças para conduzir o homem preso morto ou vivo. Pressentindo a aproximação dos policiais, Besouro recuou do bar e, encostando-se na cruz existente no largo, abriu os braços e disse que não se entregava. Ouviu-se violenta fuzilaria, ficando ele estendido no chão. O cabo José chegou-se e afirmou que o capoeirista estava morto. Besouro então ergueu-se e mandou que o comandante levantasse as mãos, ordenou que todos os soldados se fossem e cantou ums versos.

As brigas eram sucessivas e por muitas vezes Besouro tomou partido dos fracos contra os proprietarios de fazendas, engenhos e policiais. Empregando-se na Fazenda do Dr. Zeca, pai de um rapaz conhecido por Memeu, Besouro foi com ele nas vias de fato, sendo então marcado para morrer.

Homem influente, o Dr. Zeca mandou pelo proprio Besouro, que não sabia ler nem escrever, uma carta para um seu amigo, administrador da Usina Maracangalha, para que liquidasse o portador. O destinatario com rara frieza mandou que Besouro esperasse a resposta no dia seguinte. Pela manhã, logo cedo, foi buscar a resposta, sendo então cercado por cerca de 40 soldados, que incontinente fizeram fogo, sem contudo atingir o alvo. Um homem entretanto, conhecido por Eusébio de Quibaca, quando notou que Besouro tentava afastar-se gingando o corpo, chegou-se sorrateiramente e desferiu-lhe violento golpe com uma faca de tucum. Manuel Henrique, o Besouro Manganga, morreu jovem, com 27 anos, em 1924, restando ainda dois dos seus alunos Rafael Alves França, Mestre Cobrinha Verde e Siri de Mangue.

Hoje, Besouro é simbolo da Capoeira em todo o territorio baiano, sobretudo pela sua bravura e lealdade com que sempre comportou com relação aos fracos e perseguidos pelos fazendeiros e policiais. .



MANDUCA DA PRAIA



Manduca da Praia, foi conhecido e temido pela policia e pelos proprios capoeiristas. Auto, forte de barba e cabelos ruivos, viveu por volta de 1850, demonstrando superioridade a todos os capoeiristas daquela época no Rio de Janeiro, mesmo sendo uma época em que viveram terriveis capoeiristas como por exemplo: Aleixo Açougueiro, Quebra Coco, Pedro Cobra, Bem-te-vi, Mamede e muitos outros.

Desde cedo Manduca ja demonstrava agilidade saltando touros bravos, como também, no uso do punhal, da navalha e do petropolis, que é uma comprida bengala de madeira-de-lei, companheira quase que inseparavel de Manduca e de todos os valentões da época.Também se destacando na malicia do soco, da banda e da rasteira, entre varias outras coisas. No entanto, se destacava dos outros pela sua frieza e calculismo, da inteligencia que possuia em comparação aos seus companheiros (rufiões, gigolos, valentões etc.).

Manduca era um capoeirista por conta propria, pois naquela época a capoeira, era muito perseguida pela policia e, para se ser capoeirista era mais seguro e racional, fazer parte de alguma gang, sendo que as mais fortes, eram os Nagos e os Guaiamus, que eram as que comandavam o Rio de Janeiro naquela época, bem semelhante as gangs do tráfico de hoje em dia. Porem o Manduca queria muito mais do que fazer parte de uma gang, coisa que poderia lhe atrapalhar em seus negocios, pois possuia uma banca de peixe e era guarda-costas de pessoas ilustres e, principalmente politicos. Nas eleições do bairro de São José, pintava o Diabo e, nos esfaqueamentos, ninguém possuia a mesma competencia.

Devido a sua grande influencia, respondeu a 27 processos por lesões corporais leves e graves, e não foi punido por nem um, saindo-se totalmente ileso. Manduca ainda se tornou mais celebre, com a chegada do deputado portugues Santana que gostava de desafios de briga de rua, que era uma coisa semelhante ao vale tudo de hoje, so que não avia pontos e nem juizes, perdia aquele que fosse a lona ou pedisse arrego, sendo que o ultimo era negado algumas vezes.

Manduca foi então desafiado e foi o grande campeão, deixando Santana abismado com tanta destreza. Apos o combate, os dois sairam abraçados e foram tomar champanhe se tornando grandes amigos. Manduca da Praia era um campeão da Capoeira da época no Rio de Janeiro, uma Capoeira que não possuia musica ou qualquer tipo de instrumentos, era quase que uma briga de rua.

Manduca como dito anteriormente, era alto, claro barba pontuda ruiva e cabelos da mesma cor; nunca deixava de lado o seu casaco comprido e de tecido grosso e, uma corrente de ouro de que pendia o seu relogio também de ouro. Manduca levou uma vida com certas regalias, pois a sua banca de peixe, era um negocio que lhe rendia bons lucros.

MARCELO RIOS
MODERADOR
MODERADOR

Mensagens : 71
Data de inscrição : 13/07/2012
Idade : 42
Localização : Jacarepaguá/Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 :: ESPORTES :: VALE-TUDO

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum